Camaçari assina ordem de serviço para retomada emergencial do transporte público
A empresa contratada terá até 20 dias para iniciar a circulação dos veículos, que atenderão sede, orla e zona rural, com cobertura total prevista em até 30 dias

Nesta sexta-feira, 30 de maio, Camaçari dá um passo decisivo rumo à reconstrução da mobilidade urbana no município. A Prefeitura assinou a ordem de serviço que autoriza o início da operação do sistema emergencial de transporte público. O ato oficial aconteceu no auditório da Secretaria de Governo (Segov) e foi conduzido pela Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STT), responsável pela coordenação do novo modelo.
A empresa contratada terá até 20 dias para iniciar a circulação dos veículos, que atenderão sede, orla e zona rural, com cobertura total prevista em até 30 dias. A operação contará com 45 veículos — 30 ônibus convencionais e 15 micro-ônibus — distribuídos em 28 rotas que abrangem 47 localidades. A frota atenderá todos os dias da semana, incluindo feriados, com padrão de qualidade garantido: ar-condicionado, Wi-Fi e elevadores de acessibilidade fazem parte dos requisitos mínimos exigidos para circulação.
Apesar de provisório, o modelo emergencial foi desenhado com critérios de eficiência e respeito à população. A bilhetagem eletrônica permitirá maior controle e transparência no serviço, com emissão prevista de 45 mil cartões de transporte. A STT também contará com uma central de monitoramento para acompanhar, em tempo real, a operação dos veículos e aferir a qualidade do serviço prestado.
Durante o período emergencial, os valores das tarifas serão mantidos sem reajuste: R$ 5 na sede, R$ 5,30 para a Orla 1 (Arembepe, Jauá e Abrantes) e R$ 7 para a Orla 2 (Barra do Pojuca à Barra do Jacuípe). Crianças de até 5 anos permanecem isentas, bem como os públicos legalmente amparados pela gratuidade, como idosos e pessoas com deficiência.
A iniciativa marca a resposta da atual gestão a uma das maiores crises de mobilidade da cidade. Desde o fim do contrato anterior, em novembro de 2024, Camaçari ficou sem sistema regular de transporte coletivo. Ao assumir o Executivo, o prefeito Luiz Caetano se deparou com o colapso do serviço e, desde então, vem conduzindo uma série de articulações políticas e técnicas para viabilizar uma solução.
Em fevereiro, foi encaminhado à Câmara o Projeto de Lei nº 1.175/2025, que garante subsídios ao sistema e possibilita a prestação do serviço durante o período emergencial. A proposta foi aprovada por unanimidade.
“Está assinado o contrato. Vamos iniciar essa fase emergencial de seis meses, com possibilidade de prorrogação por mais seis. Já amanhã começamos a trabalhar no processo de concessão definitiva. O objetivo é garantir os direitos da população e oferecer um serviço digno”, declarou o prefeito Caetano.
O diretor-superintendente da STT, Edmilson Sousa, lembrou o cenário crítico encontrado no início do ano: “A cidade estava completamente sem transporte, sem garantir o básico: o direito de ir e vir. Desde janeiro temos mantido diálogo com o Ministério Público, empresários e vereadores. Sabemos que ainda há muito a ser feito, mas esse é um marco importante.”
Já o vereador e líder do governo na Câmara, Tagner Cerqueira, destacou a atuação integrada entre os poderes. “Foi um esforço coletivo. Em pouco mais de quatro meses conseguimos avançar em um tema historicamente negligenciado. Hoje celebramos uma solução emergencial, mas já com os olhos voltados para a estruturação definitiva de um transporte público eficiente.”
O momento representa mais que a retomada de um serviço essencial: trata-se de um pacto pelo direito à mobilidade e pela dignidade de milhares de trabalhadores, estudantes e cidadãos que dependem diariamente do transporte público para acessar a cidade e seus serviços.



